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Indústria do vestuário produz aventais para profissionais de saúde

Indústria do vestuário produz aventais para profissionais de saúde

O Grupo Krindges, indústria do setor do vestuário com sede em Ampere, no Sudoeste do Paraná, mudou totalmente a produção para atender a demanda emergencial criada pela pandemia de Covid-19. De fabricante de moda masculina, a indústria passou a confeccionar aventais descartáveis para profissionais de saúde. A nova produção está garantindo a manutenção dos empregos e ainda gerando novos postos de trabalho.

“A demanda partiu de um distribuidor de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) que ficou com o estoque zerado por conta da crise. Fomos procurados por este distribuidor e decidimos iniciar esta produção”, conta Luiz Krindges, conselheiro de administração da empresa. Segundo ele, a crise provocada pelo coronavírus já havia determinado o fechamento da fábrica por uma semana, no final de março. “Quando as autoridades sanitárias começaram a recomendar o isolamento, deixamos nossos colaboradores em casa, antecipando férias ou aplicando banco de horas e paramos totalmente a produção”, lembra. “A nova atividade, porém, permitiu a retomada do trabalho, seguindo todos os protocolos sanitários para preservar a saúde dos colaboradores”, explica.

Luiz Krindges, que também é presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar), conta que quando começou a pandemia, vários empresários da região acharam que iam quebrar. Mas, agora, já há contratos de fornecimento de aventais hospitalares para abril e maio”, informa.

O Grupo trabalhava com 750 colaboradores e a parceria de 15 oficinas de costura da região. Hoje, essa rede de parceiros é formada por 35 oficinas com 2 mil trabalhadores. Outras duas fábricas, de Santa Catarina e São Paulo, serão envolvidas na produção, totalizando 4.200 trabalhadores para a produção de aventais em maio. “Para atender a grande demanda pelos EPIs, conseguimos movimentar o mercado local, garantindo mais trabalho para essas pessoas”, observa Krindges.

Doação para prefeituras

O diretor-presidente do Grupo, Leonardo Krindges, conta que a fábrica está produzindo 150 mil aventais por dia. Em maio, a produção diária passará a 300 mil peças. Os aventais atendem hospitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás. Parte da produção está sendo doada para as prefeituras onde o Grupo mantém unidades produtivas. Segundo ele, a produção trouxe um fôlego financeiro para a empresa e está, pelo menos, contribuindo para manter a folha de pagamento dos funcionários.

“O mês de março foi terrível. Recebemos de alguns clientes, mas houve uma redução significativa no pagamento de títulos. Além disso, não tivemos novos pedidos. Nesta época do ano, tradicionalmente, começamos a produzir a moda primavera-verão, mas as lojas estão fechadas e nossos representantes não estão vendendo nada. Se não fosse a produção dos EPIs, estaríamos totalmente parados”, diz.

A indústria está, neste momento, 100% adaptada para a produção dos aventais feitos com o Tecido Não Tecido (TNT). “É um produto totalmente novo para nós. Tivemos que aprender o corte, a costura, mas nos adaptamos”, conta o empresário. Segundo ele, inicialmente a ideia era fabricar os aventais durante duas semanas, mas agora já foi decidido estender a produção pelo menos ao longo de todo o mês de maio, tanto por conta da demanda alta pelos EPIs, como pela falta de novos pedidos para os produtos tradicionais da fábrica.

Cuidados

Para garantir a produção dos aventais, a volta ao trabalho dos colaboradores está sendo monitorada. Os funcionários dos grupos de risco não estão trabalhando. Dentro da empresa, o layout foi mudado para garantir o distanciamento necessário das estações de trabalho, todas as entradas têm tapetes higienizados e álcool em gel disponível para todos. Os colaboradores têm a temperatura conferida sempre que chegam ao trabalho e, em caso de febre ou sintomas de gripe, vão diretamente para o ambulatório. Quem trabalha no setor de carga e descarga usa luvas e máscaras e a partir desta semana, os colaboradores de todos os setores passaram a usar máscaras. Os ambientes são higienizados três vezes ao dia e a fábrica passou a funcionar em turnos para reduzir o fluxo de pessoas no ambiente.

Grupo Krindges

Há 42 anos no mercado, o Grupo Krindges produz moda masculina para as marcas próprias Docthos e Guilherme Soul. No ano passado, entrou no varejo, abrindo loja em um shopping center de Curitiba. No Sudoeste, é um dos principais empregadores. O Grupo não descarta a possibilidade de manter a fabricação de EPIs quando a crise passar e quando a fábrica retomar a produção normal. “Como agora nos adaptamos e aprendemos a fabricar aventais, talvez possamos continuar, mas para isso, o governo brasileiro teria que mudar muita coisa já que em condições normais é totalmente inviável a fabricação desses itens no Brasil. Não há nenhum incentivo e a produção nacional não é competitiva” argumenta. Mas, ele defende a fabricação nacional. “Essa crise mostrou a nossa vulnerabilidade. Somos totalmente dependentes da importação de EPIs e isso é um risco muito grande, como podemos ver agora com muitos hospitais à beira de um colapso por falta destes itens básicos”, adverte.

Novo cenário

O empresário conta que a pandemia de Covid-19 mudou tudo para o Grupo Krindges, a exemplo do que deve ter acontecido para muitas empresas. “Vínhamos muito bem, iniciamos o ano com um resultado positivo em razão do aumento de 25% nas vendas de 2019. Tínhamos uma projeção para continuar crescendo este ano e com perspectivas de abrir novas lojas e investir no parque fabril. Mas, veio esta pandemia e mudou todo o cenário. Em uma semana, tudo desmoronou”, lamenta.

Para o empresário, o fato de o Grupo ser sólido e vir de um ano com bons resultados, de certa forma, permitiu alguma segurança, mas as reservas não durariam muito tempo com a produção parada. “Tivemos que nos reinventar, nos adaptar para manter a atividade”, observa. Segundo ele, o resultado financeiro da produção de aventais nem se compara com a produção tradicional da fábrica. A moda masculina rende três vezes mais, segundo o empresário. “Mas, pelo menos, estamos conseguindo empatar. O que, em tempos de crise como a que vivemos hoje, já é uma grande coisa”, conclui.

Observatório Sistema Fiep
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