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Paraná fecha primeiro semestre com alta de 15% nas exportações

Paraná fecha primeiro semestre com alta de 15% nas exportações

Crescimento em relação a junho de 2021 foi de 27% e, contra maio, de 7%.

O Paraná exportou US$ 2,1 bilhões em junho. Os valores exportados superam em 27% o resultado obtido no mesmo mês do ano passado e, em quase 7%, o registrado em maio, que foi de US$ 1,959 bilhão. Só no primeiro semestre deste ano, o estado acumula US$ 10,6 bilhões em vendas para o exterior, uma alta de 15% na comparação com o que foi comercializado no mesmo intervalo de 2021. Os dados foram divulgados esta semana, pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia (Secex).

As importações também tiveram incremento significativo, de 40%, em relação a junho do ano passado. Porém, em relação a maio, houve queda de 11%. De janeiro até agora, as compras do exterior somam US$ 10,7 bilhões, um crescimento de 35% na comparação com o primeiro semestre de 2021. Dessa forma, o saldo da balança comercial do Paraná em junho ficou positivo em US$ 94,5 milhões, mas o resultado no acumulado dos primeiros seis meses é um déficit de US$ 123 milhões.

Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe, mesmo com déficit na balança comercial do estado, a atuação do Paraná no mercado internacional continua forte. “O que pode explicar o saldo negativo neste primeiro semestre é que, diante das dificuldades remanescentes da pandemia e as geradas por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia, houve elevação no preço de vários produtos no mercado internacional”, explica. “Como efeito disso estão a escassez de insumos e matérias-primas no mundo todo. Por isso, as indústrias antecipam a compra destes produtos para garantir um preço menor e também que não faltem ou demorem a chegar, atrasando o ritmo de produção nas fábricas”, reforça. “Isso resulta num volume maior de compras no exterior, gerando esse descompasso no saldo da balança comercial paranaense”, analisa o economista da Fiep.

Com os resultados de junho, o Paraná é o sexto estado que mais exportou no Brasil, representando 6,4% do total de mercadorias comercializadas para fora do país. O estado responde ainda por 41% do que é vendido pelos três estados do Sul no exterior, sendo o principal exportador da região. Nas importações, o Paraná fica em quarto lugar no ranking nacional, responsável por 8,4% de tudo que foi adquirido do exterior, além de representar 37% do total comprado pela região Sul, na segunda colocação, superado por Santa Catarina, com 40%.

A ativa relação do estado nessa área é justamente o que mede a corrente de comércio, que é a soma das exportações com as importações. Em junho, foram US$ 4,1 bilhões, valor 33% acima do registrado em junho de 2021. Só este ano, são 21,3 bilhões negociados, montante que eleva em 25% o total registrado no primeiro semestre do ano passado. Dessa forma, o Paraná é o quinto estado do país mais ativo nessa área, representando 39% da corrente de comércio da região sul.

Principais destinos e produtos

A China continua sendo o principal destino das exportações paranaenses, levando quase 20% do total de mercadorias vendidas no primeiro semestre, somando US$ 2,053 bilhões. Chama a atenção o fato de que embora seja o principal mercado consumidor dos produtos do estado, as vendas para o país asiático este ano estão 31% abaixo dos US$ 2,967 bilhões registrados no primeiro semestre de 2021. “Esse país tem um peso importante na nossa pauta de comércio exterior e é preciso ficar atento em como isso se comporta até o fim do ano”, antecipa Felippe. Depois vêm os Estados Unidos, com 8,4% de representatividade, seguidos por Argentina (6%), Índia (3,6%), México (3,5%), Holanda (3,2%) e Chile (3,1%).

Nas importações, quase 50% da pauta está concentrada em cinco países principais. China, com 24% do total e alta de 51% nas compras neste primeiro semestre. Estados Unidos, 12%, também com elevação de 60% nas importações. Em seguida, vem a Rússia, que representa 4,4% do total adquirido pelo estado, mas que registrou o maior aumento percentual no período, 124% a mais este ano na comparação com os primeiros seis meses do ano passado. Depois vem Alemanha e Paraguai, ambos com 4,3% da pauta. Outro ponto de atenção é a alta expressiva na aquisição de adubos e fertilizantes vindos da Rússia, que somam 93% de tudo que o Paraná importa de lá. “Provavelmente, mais um reflexo da guerra no leste europeu, que gera apreensão do empresário por uma possível elevação nos preços e falta generalizada destes insumos, utilizados na agroindústria, no mercado mundial”, avalia o economista.

Os produtos do complexo soja são o principal item vendido pelo Paraná para fora do país no acumulado deste ano. Eles respondem por 29% da pauta total do estado, seguido por carnes (18,4%), madeira (9,7%), material de transporte (7,7%) e celulose e papel (4,2%). Já entre os mais comprados pelo estado estão produtos químicos (40%), petróleo (11%), material de transporte (9,8%), materiais elétricos e eletrônicos e produtos mecânicos (8,8%).

O setor alimentício foi o maior responsável pelas exportações do estado em junho, 42% do total comercializado. Madeira (8,9%), automotivo (8,3%) e celulose e papel (7,6%) completam a lista das atividades que mais venderam para fora do país. Já os setores químico (44%), automotivo (11,2%), petrolífero (7,2%) e máquinas e equipamentos (7,1%) foram os que mais adquiriram produtos no mês. No primeiro semestre, a lista não muda muito, só a participação de cada setor na pauta se altera. O ranking segue liderado por alimentos (39%), madeira (10%), automotivo (7,9%) e celulose e papel (7,7%).

E nas importações de janeiro a junho, a mesma lógica com diferentes percentuais. Produtos químicos (38%), automotivo (9,6%), além de petróleo e máquinas e equipamentos (ambos com 9,1%), e produtos elétricos, eletrônicos e de informática (7,5%). “Dos Estados Unidos, a alta nas importações se deve principalmente a itens derivados do petróleo, além de adubos e fertilizantes. E, na China, produtos eletroeletrônicos e químicos, contribuíram com maior peso no aumento dos gastos do estado neste primeiro semestre”, finaliza.

Observatório Sistema Fiep
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