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Região Sul responde por 50% do saldo de empregos na indústria brasileira em 2022

Região Sul responde por 50% do saldo de empregos na indústria brasileira em 2022

Juntos, PR, SC e RS abriram mais de 63 mil novas vagas formais de trabalho.

Mesmo diante das dificuldades decorrentes do aumento nos custos de produção, a indústria do Paraná continua contribuindo para a geração de vagas no mercado de trabalho formal (com carteira assinada). Dos 8.925 empregos criados no estado em abril, o setor foi responsável por 2.177. O segmento de serviços liderou o ranking com 4.074 novas vagas, seguido por comércio (2.229) e agronegócio (639). A construção civil teve desempenho negativo (-194). No acumulado do ano, a indústria soma 11.805 de saldo, sendo o segundo setor que mais gerou empregos no estado. Com o resultado de abril, os três estados do Sul estão entre os cinco com maior saldo de vagas na indústria nacional este ano, respondendo por 50% das novas contratações no Brasil. As informações foram divulgadas hoje (06/06), pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério da Economia (Novo Caged).

Em abril, a indústria do país teve saldo positivo de 26.378 empregos. No ano, o número chega 127.788. São Paulo lidera o ranking nacional em 2022 com 48.526 postos abertos, seguido por Rio Grande do Sul (30.653), Santa Catarina (21.089), Minas Gerais (15.561) e Paraná (11.805). Juntos, os três estados do Sul criaram 63.547 novas vagas na indústria este ano. Na contramão vem a região nordeste, com mais de 26 mil postos fechados no período.

Na avaliação dos números da indústria do Paraná em relação a março, o crescimento foi seis vezes maior. Porém, há uma explicação para isso. “O Caged faz ajustes nos dados que são divulgados mensalmente. Essa revisão acontece mês a mês, porém a diferença entre o que foi divulgado e o ajustado foi bastante significativa”, avalia o economista da Federação das Indústrias do Paraná, Thiago Quadros. No fim de abril, o Caged divulgou que a indústria do Paraná havia aberto 1.114 novas vagas. Após o ajuste, o número caiu para 343.

Quando comparado ao mesmo mês de 2021, a indústria recuou 38% na geração de empregos. Em abril do ano passado foram criadas 3.015 novas oportunidades no setor. No acumulado de janeiro a abril, embora o resultado seja positivo, o valor de 11.805 postos abertos é 56% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado, que foi de 26.160.

“O primeiro semestre de 2021 foi um período de retomada mais forte da economia para recuperar perdas acumuladas durante a fase mais crítica da pandemia da covid-19”, diz o economista. Segundo ele, o cenário econômico agora é outro. A guerra no leste da Europa, por exemplo, eleva os preços dos insumos, aumentando os custos de produção. Outro fator limitador do consumo é a inflação ao consumidor. “Quando o comércio não vende porque os produtos estão mais caros, isso impacta na demanda das fábricas”, justifica. Ele explica ainda que a taxa de juros elevada no Brasil (12,75% ao ano) dificulta o acesso das empresas ao crédito. “Por ser um ano eleitoral, também há incertezas com relação às políticas econômicas que serão adotadas. Por isso o empresário adota uma postura mais cautelosa, aguardando um período mais favorável para buscar recursos para investimentos e para contratar mais trabalhadores”, resume Quadros.

Setores industriais

No mês de abril, dos 24 setores da indústria de transformação avaliados pelo Caged, 17 geraram empregos e sete mais demitiram do que contrataram. Alimentos ficou em primeiro lugar, com 606 vagas abertas, principalmente no subsetor de fabricação e refino de açúcar. O segundo foi produtos químicos (303), seguido por fabricação de petróleo e biocombustível (290), com destaque para a produção de álcool; automotivo, puxado pelo segmento de fabricação de peças e acessórios (228); borracha e material plástico (196). Os sete que não performaram bem em abril foram moveleiro (-249), reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-229), produtos diversos (-31), produtos têxtis (-30), setor gráfico (-12), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-10) e fabricação de outros equipamentos de transporte (-5).

No acumulado de janeiro a abril, só dois segmentos dos 24 ficaram abaixo do esperado. Moveleiro (-566) e outros equipamentos de transporte (-72). Os melhores do ano são confecções e artigos do vestuário (1.716), alimentos (1.570), automotivo (1.518), principalmente por conta de fabricação de peças e acessórios (971); máquinas e equipamentos (1.225) e madeira (1.128).

Observatório Sistema Fiep
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