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Sondagem Industrial do Sistema Fiep mostra otimismo dos industriais para 2021

Sondagem Industrial do Sistema Fiep mostra otimismo dos industriais para 2021

A 25ª Sondagem Industrial feita pelo Sistema Fiep mostra os reflexos da pandemia na recuperação econômica e na confiança dos empresários 

O balanço de 2020 é diferente de tudo o que a indústria paranaense estava habituada. Não somente pelos números, que são afetados por questões políticas e econômicas; mas pela pandemia do novo Coronavírus. Desde março, as perspectivas são revistas mês a mês e demandam rápidas respostas do setor. Mais perto do fim do ano, é possível enxergar um cenário mais otimista para 2021, com base nos resultados recentes do Paraná. O estado chegou a novembro mantendo a liderança na geração de empregos formais. De acordo com o novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), de janeiro a outubro, foram 20.900 novas vagas com carteira assinada. Somente em outubro, foram 8.452 novos postos de trabalho, um crescimento de 28% em relação a setembro. 

Os setores com melhor desempenho foram o alimentício (1.279 novos postos em outubro), seguido pelo polo do vestuário (1.082), fabricação de máquinas e equipamentos (875); e fabricação de produtos de metal (631). O presidente do Sistema Fiep, Carlos Valter Martins Pedro, explica que a retomada do consumo teve papel importante para esse aumento. “Ainda há muitas incertezas, mas a indústria paranaense tem conseguido manter a produção para atender à demanda. A geração de empregos é reflexo disso”, pontua. 

Um exemplo de bom desempenho aconteceu na Jasmine Alimentos. Inicialmente, a empresa estabeleceu parcerias com marketplaces para vendas on-line. Mas a busca por alimentação saudável, visando maior imunidade, modificou os desafios durante a pandemia. “Tivemos que nos preparar para a alta demanda, com aumento da produção e novas contratações. Nosso crescimento em 2020 é de 20% em relação a 2019”, conta Rodolfo Lourenço, diretor de Inovação e Transformação da Jasmine Alimentos. 

Alta na produção e escassez de matéria-prima 

Com as portas abertas e operando de acordo com os protocolos sanitários para conter a transmissão da COVID-19, o setor industrial agora enfrenta a escassez de matéria-prima. Segundo o IBGE, a queda acumulada na produção industrial em março e abril foi de 27%, com muitos segmentos parando as atividades. O reflexo é sentido até hoje, segundo análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI): 68% das indústrias brasileiras estão com dificuldade para obter insumos no país e 56% daquelas que importam matéria-prima também enfrentam problemas para comprá-la fora do Brasil. 

Dessa forma, a produção viu-se diante dos desafios de uma demanda reprimida – é o que está acontecendo na região de Ampère, polo têxtil e moveleiro do estado. Luiz Krindges, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar), diz que toda a produção programada até o fim do ano está vendida, mas faltam embalagens para os produtos. “Estamos muito otimistas com as vendas, mas sem as embalagens, nossas entregas ficarão comprometidas. Lembrando que o comerciante também precisa de embalagens para suas vendas”, conta. 

Otimismo e pés no chão 

A 25ª Sondagem Industrial feita pelo Sistema Fiep entre 15 de outubro e 26 de novembro mostrou uma tendência de otimismo entre os industriais do estado. A pesquisa representa um universo de mais de 50 mil estabelecimentos industriais, que geram 792 mil empregos diretos. Para 68% dos participantes, 2021 será um ano de retomada para o setor. Entre os motivos que levam às boas expectativas, estão o aumento nas vendas, sinalizado por 71% dos entrevistados, a abertura de novos mercados (40%) e novos investimentos (34%). Evanio Felippe, economista do Sistema Fiep, destaca que 60% das empresas pretendem investir com recursos próprios. “Com a dificuldade de acesso, a burocrática e o alto custo do crédito no Brasil, é compreensível que as empresas se autofinanciem”, diz. 

A Jasmine Alimentos é uma das empresas que vai investir em novos mercados em 2021. “Vamos intensificar o desempenho dos lançamentos recentes, da linha de pães sem glúten, nossos biscoitos infantis e um hambúrguer vegetal. Estamos otimistas com o mercado, cada vez mais o consumidor tem percebido a importância de uma alimentação saudável e buscam empresas com raízes verdadeiras neste segmento”, completa Rodolfo Lourenço. 

Ainda sobre a Sondagem feita pelo Sistema Fiep, destaca-se o índice menor de otimismo em relação a ano passado. No fim de 2019, quase 80% dos empresários estavam animados com 2020 

O resultado da Sondagem ficou abaixo do registrado no ano passado, quando 80% dos empresários estavam animados com 2020. O presidente do Sistema Fiep explica que a queda é natural ao fim de um ano tão desafiador. “É importante lembrar que mesmo com uma visão positiva sobre o futuro da economia, o empresário entende que não se pode perder de vista a implementação de ações concretas para a retomada em 2021, assim como para a melhoria do ambiente de negócios no país, no longo prazo, por meio de medidas como as reformas fiscal, tributária e administrativa”, finaliza. 

 

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