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Mobilidade Sustentável: o que é?

Mobilidade Sustentável: o que é?

First things first”. Falemos de problemas. Sim, o ponto de partida para compreender o conceito de Mobilidade Sustentável é o mesmo de quase todos os paradigmas do presente: problemas! Você deve estar se perguntando: “Dentre tantos, de quais problemas estamos tratando?” Ora. Dos mesmos que viraram moda a partir da década de 1970 de tanto serem abordados e não resolvidos: ambientais, energéticos e patológicos. E não, não é repetitivo falar sobre isso. Aliás, é necessário (ao menos até que ocorra uma urgente e profunda transformação tecnológica e cultural que dê cabo às mazelas do nosso tempo).

A raiz do problema

Mais de 85% dos brasileiros vivem atualmente em cidades, e o deslocamento populacional, ou êxodo rural, não aconteceu de forma gradativa ao longo dos séculos, mas de forma súbita e desordenada a partir de 1930, impulsionado, dentre diversos fatores, pela industrialização do país e mecanização do campo. Decorrente deste movimento e da ausência de planejamento urbano e políticas públicas sólidas e coerentes, as cidades não cresceram de forma saudável e sustentável, mas incharam para comportar minimamente a população crescente.

Resultado: mais indústrias, mais pessoas, mais serviços, mais demanda, menos tempo!

Assim surge o paradigma do automóvel. A fim de otimizar o tempo e aumentar a produtividade, a partir de 1950 as cidades passaram a ser planejadas em função dos veículos, que se apresentavam como a solução para o transporte urbano à época, encurtando distâncias e acelerando o ritmo urbano. Observe que não estamos criticando de forma simplista os modos de transporte que foram e ainda são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer cidade ou país, mas construindo o contexto que dá forma ao problema da ‘imobilidade urbana’ dos dias atuais, resultante do baixo índice de inovação nas soluções para o transporte e da adoção em larga escala de veículos motorizados individuais.

A fim de demonstrar a magnitude dos problemas a que me refiro, vamos abordar a questão de forma simples e prática. Responda às perguntas abaixo com SIM ou NÃO:

  • No seu bairro as calçadas são melhores que as ruas?
  • Há calçadas e ciclovias/ciclofaixas de qualidade interligando a sua casa e o seu trabalho?
  • O transporte coletivo da sua cidade é confiável, eficiente e seguro a ponto de fazê-lo abandonar o seu carro?
  • É possível percorrer um mesmo trajeto da sua cidade com mais de um tipo de veículo com a mesma qualidade (e. g. de carro, de ônibus e de patinete)?
  • A qualidade do ar da sua cidade é boa?
  • Você consegue se deslocar diariamente pela sua cidade sem ficar retido em lentidões e engarrafamentos?
  • Você percebe a adoção de tecnologia de ponta na melhoria dos serviços de transporte da sua cidade?

Muito provavelmente quase todas – senão todas - as suas respostas foram “não!”. Pois é... Mas fique tranquilo! Não se sinta desfavorecido no mundo. Isso só confirma que a sua cidade, assim como a maioria, não foi planejada para pessoas, mas para carros, e que não evoluiu conforme a demanda no que diz respeito a mobilidade. Pior. Ao longo do tempo, o que era solução passou a gerar problemas como: poluição sonora, visual e atmosférica, desperdício energético, limitação de fluxo nas vias (engarrafamentos), problemas respiratórios e até psicológicos na população.

Mobilidade Sustentável

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O termo mobilidade se tornou usual na última década, sendo empregado como sinônimo ou substituto para tudo que se refere a transportes. No Brasil, a Lei Federal 12.587/2012 define a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) e conceitua mobilidade como sendo a forma e os meios utilizados no espaço urbano para transportar pessoas e mercadorias, levando em consideração três aspectos: a organização do território, o fluxo de transportes e os meios de transporte.

Evoluindo o conceito, a Mobilidade Sustentável engloba, para além das formas e os meios de locomoção no espaço urbano, questões de infraestrutura e energias, meio ambiente, inovação tecnológica, saúde e segurança da população. O foco aqui não é apenas a adoção de novas tecnologias, mas sim proporcionar soluções sob medida que integrem as demandas dos espaços, que vão além das cidades podendo integrar rodovias e meio rural, às necessidades dos seus habitantes. Não se trata apenas de aumentar e melhorar as ruas, mas sim de diversificar os padrões e oportunidades de locomoção no meio urbano. Isto tem a ver com políticas públicas e planejamento, somados à busca por compreender a realidade das cidades de forma honesta e intencional, ouvindo a indústria, o setor de serviços e, principalmente, quem faz tudo acontecer: as pessoas.

 “É possível desenvolver soluções que satisfaçam todos estes requisitos?” A resposta é: sim! Nos últimos anos muitos modelos e abordagens foram desenvolvidos com o intuito de guiar gestores públicos, empresas e sociedade no caminho da Mobilidade Sustentável, pavimentando um futuro mais seguro, acessível, responsável e sustentável. Mas este é assunto para um próximo artigo. Até lá!

https://www.linkedin.com/pulse/mobilidade-sustent%C3%A1vel-o-que-%C3%A9-val%C3%A9rio-mendes-marochi/

Conselho Setorial da Indústria Automotiva

Observatório Sistema Fiep
Valério Marochi
Valério Marochi Seguir

Especialista em Engenharia de Veículos Híbridos e Elétricos (Faculdades da Indústria); Tecnólogo em Mecatrônica Industrial (UTFPR); Técnico em Automobilística (Senai PR); Professor/Coordenador Técnico (Centro de Mobilidade Sustentável e Inteligente)

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